O que aconteceu com o Ablo? Fim, migração e o app de 2025

Ablo encerrou em 30 de setembro de 2022 e redirecionou usuários para o Azar. Veja o que levou ao fim, o que os usuários perderam e o app não relacionado de 2025.

Atualizado em 18 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Nesta página
  1. O que aconteceu com o Ablo? Do sucesso ao silêncio
  2. O auge do Ablo: o que fez ele ser amado
  3. A longa descida: 2020 a 2022
  4. O problema que nunca foi resolvido: bans opacos e assédio
  5. O fim: 30 de setembro de 2022
  6. A lista zumbi: 2023 a 2026
  7. O app não relacionado de 2025
  8. Para onde ir agora?

O que aconteceu com o Ablo? Do sucesso ao silêncio

Se você está se perguntando o que aconteceu com o Ablo, a resposta é direta: o app foi descontinuado em 30 de setembro de 2022 e passou a redirecionar os usuários para o Azar. Sem aviso prévio, sem exportar seus contatos, sem explicação oficial. Mas a história por trás desse fim é mais longa e cheia de reviravoltas.

Para entender o que aconteceu, é preciso voltar ao começo. O Ablo foi lançado em janeiro de 2019 pela Massive Media (a mesma equipe belga por trás do Netlog e do Twoo, já parte do Match Group). A proposta era simples e poderosa: você "voava" para um país aleatório, batia papo com alguém de lá, e tudo era traduzido automaticamente. Ganhou o prêmio de Melhor App de 2019 do Google Play e conquistou milhões.

O auge do Ablo: o que fez ele ser amado

No início, o Ablo era mágico. Voos ilimitados e gratuitos, sem anúncios, e uma tradução que realmente quebrava barreiras. Nossa análise de 84.580 avaliações do Ablo mostra que os elogios se repetiam em 14 idiomas: "viajar sem sair de casa", "praticar inglês com nativos", conhecer pessoas do mundo todo. O conceito do avião, das milhas e das curiosidades sobre cada destino era a identidade do app.

Um revisor em 2021 resumiu: "Ablo is like a Travel Agency which don't charge anything" (Ablo é como uma agência de viagens que não cobra nada). Outro, em francês: "j'ai voyagé sans bouger de chez moi" (viajei sem sair de casa). A solidão da pandemia fez o app explodir — em meados de 2021, as avaliações passavam de 4 mil por mês.

A longa descida: 2020 a 2022

O que aconteceu com o Ablo depois do auge foi uma erosão lenta e dolorosa. A cada mudança, uma nova onda de reclamações. Veja os principais pontos de virada:

  • Paywalls crescentes: Em agosto de 2019, chegaram as moedas para escolher continente ou gênero. Depois veio o limite de 10 voos grátis por dia (maio de 2020). Reencontrar um amigo passou a exigir um presente pago. As moedas passaram a ser cobradas mesmo quando a pessoa do outro lado saía sem dizer nada. Revisores reclamavam que o que era grátis em 2019 agora custava moedas.
  • Remoção do chat de texto: Em novembro de 2021, o Ablo forçou a abertura de novas conversas direto em vídeo. Usuários chamaram o que restou de "ABLO = Omegle".
  • Troca do tradutor: No mesmo mês, o tradutor próprio foi substituído pelo Google Tradutor. Quem aprendia idiomas perdeu a função de ver a própria mensagem traduzida.
  • Fim da tradução por voz: Entre fevereiro e maio de 2022, a tradução ao vivo em chamadas de vídeo foi removida. Foi a maior reação negativa da história do app. Um revisor disse: "it was the only app in the world that did this" (era o único app no mundo que fazia isso).

Cada uma dessas mudanças gerou uma enxurrada de avaliações de 1 estrela. A proporção de 1 estrela subiu de 15% em 2019 para 25% em 2022.

O problema que nunca foi resolvido: bans opacos e assédio

O maior motivo de avaliações negativas não eram os bugs ou os preços, mas a moderação. Um único relato podia resultar em banimento imediato, sem explicação. O recurso era por e-mail e quase nunca respondido. Perder a conta significava perder toda a lista de amigos.

Ao mesmo tempo, assédio e conteúdo explícito não solicitado eram frequentes. Revisoras mulheres relatavam que denunciar não adiantava. Um revisor em espanhol resumiu: "Se bloquean a las personas… y las que sí las hacen no las bloquean" (Bloqueiam as pessoas… e as que realmente fazem não são bloqueadas).

Outro problema constante era a classificação etária: o app estava na loja como 12+, mas a política interna era 18+. Crianças e adolescentes baixavam, eram barrados ou banidos, e deixavam 1 estrela.

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O fim: 30 de setembro de 2022

No dia 30 de setembro de 2022, o Ablo simplesmente parou de funcionar. A única mensagem era que o Ablo havia sido descontinuado e pedia para usar o Azar. Não houve aviso prévio, nem chance de exportar conversas ou contatos. Amizades de três anos se perderam porque o Ablo era o único canal.

A reação foi imediata. Usuários rejeitaram o Azar quase por unanimidade: "Ablo geri gelsin, Azar'ı istemiyoruz" (Tragam o Ablo de volta, não queremos o Azar), escreveu um revisor turco. O Azar era visto como mais sexual, focado só em vídeo e não era a mesma coisa.

A lista zumbi: 2023 a 2026

Mesmo após o fim, a página do Ablo na Google Play continuou no ar por anos, com um servidor moribundo. Entre 2023 e 2026, a taxa de avaliações de 1 estrela ficou em cerca de 38%. Gente ainda tentava entrar e via a mensagem "something went wrong" (algo deu errado). Pedidos para trazer o Ablo de volta continuaram aparecendo — o mais recente é de agosto de 2026.

O app não relacionado de 2025

Em janeiro de 2025, surgiu um app não relacionado usando o nome Ablo, publicado pela Yancheng Binary Tree Technology. Com mais de 100 mil instalações, mas nota 2,2 estrelas, as reclamações são as mesmas: paywall após 2 ou 3 mensagens, tradução paga, erros de dados, bans sem motivo, bots e um mapa incorreto. Não é o Ablo original e não tem relação com ele.

Para onde ir agora?

Muita gente ainda busca um app que substitua o Ablo. O Azar não agradou. O Omegle fechou em novembro de 2023. E o app de 2025 está longe de ser uma alternativa.

Se você sente falta de viajar pelo mundo conversando com gente de outros países, talvez queira conhecer o Olu. Nele, você toca na tela e decola para um país aleatório. O bate-papo é só texto (sem vídeo, sem chamada de voz), e cada mensagem é traduzida para os dois lados — o texto original fica a um toque de distância. As milhas são ganhas, nunca compradas, e nada do que você precisa para conversar custa dinheiro. Reencontrar amigos e reconectar é gratuito. Funciona no navegador, sem instalar nada. Se ninguém do país estiver online, você pode encontrar um morador local com IA, sempre identificado como tal.

O Ablo se foi, mas a ideia de viajar sem sair de casa continua viva.

Perguntas frequentes

+O Ablo voltou?

Não. O Ablo original foi descontinuado em 30 de setembro de 2022 e não há planos oficiais de retorno. Um app não relacionado, de outro desenvolvedor, lançado em 2025, usa o mesmo nome, mas tem avaliação de 2,2 estrelas e não é o Ablo original.

+Ablo virou Azar?

Sim. No encerramento, o Ablo passou a redirecionar os usuários para o Azar, um app de videochamada do Hyperconnect, comprado pelo Match Group em 2021. A maioria dos ex-usuários rejeitou o Azar, dizendo que não era a mesma coisa.

+Por que o Ablo acabou?

O Ablo nunca deu uma explicação pública. As causas mais prováveis, segundo análises, são o alto custo de moderação, a consolidação de apps dentro do Match Group e a queda de usuários após mudanças impopulares, como a remoção da tradução por voz.

+Dá para recuperar os amigos do Ablo?

Infelizmente, não. O Ablo não ofereceu nenhuma ferramenta de exportação de contatos ou chats. Amizades de anos foram perdidas porque o Ablo era o único canal de contato entre as pessoas.

+O novo Ablo de 2025 é confiável?

Não é o mesmo app. Publicado pela Yancheng Binary Tree Technology, o app de 2025 tem nota 2,2 estrelas e reclamações de paywall após 2 mensagens, erros de dados e bans sem motivo. Não há relação com o Ablo original.

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